Google aposta no Gemini Robotics como cérebro universal
O Google DeepMind fornecerá modelos Gemini Robotics a fabricantes parceiros, adotando a estratégia do Android em vez de construir humanoides próprios.
Em entrevista ao The Information, CEO da DeepMind detalha plano de fornecer modelos de IA para fabricantes parceiros, repetindo a fórmula do Android contra a verticalização da Tesla.
O Google DeepMind quer operar como o sistema operacional da robótica em vez de montar humanoides próprios. Em entrevista ao The Information publicada no início de outubro de 2026, o presidente-executivo do laboratório, Koray Kavukcuoglu, confirmou que a prioridade da divisão é fornecer a família de modelos Gemini Robotics para fabricantes de maquinário. A abordagem transfere para o mundo físico o modelo que consolidou o Android na telefonia: distribuir software em escala e deixar a montagem fabril para quem já opera chão de fábrica.
O modelo Android contra a aposta da Tesla
A postura coloca a estratégia do Google em rota direta contra a Tesla. Enquanto a montadora de Elon Musk desenvolve tanto o chassi do Optimus quanto sua pilha interna de visão computacional, o Google pretende ser o cérebro padrão para braços industriais e robôs bípedes de terceiros. Trata-se da disputa clássica do setor: integração vertical fechada contra ecossistema aberto e horizontal.
Relatos de veículos especializados apontam que a Tesla elevou o ritmo da linha de montagem do Optimus em Fremont para centenas de unidades por semana no fim de setembro. Apesar do avanço fabril, a montadora ainda enfrenta dificuldades de software para fazer as máquinas executarem tarefas fora de rotinas rígidas sem intervenção manual. O Google quer atacar exatamente esse gargalo de inteligência, sem carregar o custo dos motores e da lataria.
A arquitetura do Gemini Robotics 2
O alicerce técnico dessa investida é a família Gemini Robotics 2, apresentada pela DeepMind no final de julho de 2026. A suíte é estruturada em três módulos complementares:
- Gemini Robotics 2 principal: sistema VLA (Visão-Linguagem-Ação) de controle corporal completo, coordenando movimentos dos pés à ponta dos dedos.
- Gemini Robotics ER 2: voltado a raciocínio corporificado, planejamento de etapas e coordenação de múltiplos robôs em simultâneo.
- On-Device 2: variante compacta para execução local direta no hardware da máquina.
De acordo com a DeepMind, a versão On-Device consegue se adaptar a uma estrutura física inédita em poucas horas de ajuste, consumindo menos de 200 demonstrações gravadas para calibrar trajetórias e pegadas.
Parcerias em campo e distribuição
O modelo já saiu do ambiente restrito de simulação digital. O Google demonstrou o software controlando o humanoide Apollo 2, da Apptronik, inclusive operando mãos articuladas com 22 graus de liberdade mecânica. A empresa mantém acordos de teste com fabricantes como Boston Dynamics, Agile Robots e Franka.
No ecossistema de desenvolvedores, o modelo de raciocínio ER 2 já está acessível no Google AI Studio e em prévia privada na Gemini Enterprise Agent Platform. O programa reúne mais de cem clientes corporativos credenciados para validação prévia.
Desafios práticos e a corrida pelos dados físicos
Ficar longe das linhas de montagem poupa o Google dos gargalos de fornecimento de atuadores, ligas metálicas e manutenção que costumam quebrar pioneiros do hardware. Além disso, colocar modelos em robôs com formatos variados gera telemetria diversa de contato físico no mundo real, ativo essencial para refinar as redes neurais seguintes.
Ainda há barreiras sérias pelo caminho. O Google não publicou tabelas comerciais de licenciamento para produção em escala, e os engenheiros da equipe admitem que cadência de caminhada e manuseio fino de objetos continuam exigindo calibragem antes de operarem com segurança em espaços desordenados.