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Modelos

Mercado cinzento de tokens burla sanções na China

Redes chinesas usam contas falsas e empresas de fachada para revender tokens do Claude com até 90% de desconto e treinar modelos locais.

Redes de intermediação em Pequim combinam empresas de fachada, contas em lote e descontos agressivos para alimentar laboratórios locais de inteligência artificial.

Uma investigação publicada pelo veículo norte-americano The Information revelou a expansão de um mercado cinzento de tokens na China estruturado para fornecer acesso clandestino aos modelos Claude, desenvolvidos pela Anthropic. Conhecidos localmente como “estações de transferência” (zhongzhanjuan), intermediários contornam bloqueios geográficos por meio de servidores proxy no exterior, contas abertas com credenciais ilícitas e empresas de papel fora do país. O principal objetivo dos compradores chineses é alimentar a destilação de modelos, método no qual um sistema avançado serve de base para treinar algoritmos locais menores.

As redes do mercado cinzento de tokens em Pequim

O comércio funciona de forma aberta nos centros de tecnologia da capital chinesa. Em um único prédio comercial no distrito universitário de Haidian, 6 de 30 empresas instaladas revendem acesso a modelos norte-americanos de IA, conforme apuração do The Information em outubro de 2026. Analistas de mercado estimam que milhares de intermediários semelhantes atuem pelo país, embora não haja um registro oficial.

Esses revendedores oferecem conexões de API e cobram por volume de tokens processados. O chamariz vai além de furar o bloqueio regional. As tarifas chegam a ter descontos entre 50% e 90% em comparação com a tabela oficial da Anthropic. Uma auditoria técnica conduzida pelo Oxford China Policy Lab e pelo instituto alemão CISPA, divulgada pelo Tom’s Hardware, examinou 17 desses serviços e confirmou que eles operam como camadas de lavagem digital, ocultando endereços de IP e as credenciais reais dos usuários.

Contas descartáveis e empresas de fachada

A infraestrutura dos revendedores aproveita brechas operacionais simples. Para registrar contas na Anthropic em grande escala, os operadores utilizam listas de e-mails obtidas em projetos antigos de criptomoedas. Os pagamentos iniciais costumam ser efetuados com cartões furtados ou com a stablecoin USDT. Quando a Anthropic identifica o padrão suspeito e suspende os acessos, scripts automáticos ativam novos lotes em servidores alugados em regiões onde o serviço é homologado.

Para contratos corporativos de grande porte demandados por laboratórios estabelecidos, o método se torna mais elaborado. Grupos chineses constituem pessoas jurídicas em jurisdições como Cingapura, Emirados Árabes Unidos e nos próprios Estados Unidos. Sob a fachada de empresas regulares, assinam acordos corporativos diretamente com a Anthropic ou por meio da Amazon Web Services (AWS). O arranjo dribla a regra da fornecedora que veta clientes com mais de 50% de capital controlado por entidades de nações sujeitas a restrições, conforme destacou o The Chosun Ilbo.

O atalho da destilação sob restrição de semicondutores

A procura concentrada no Claude tem motivação técnica direta. O modelo da Anthropic é tratado no setor como referência de qualidade em raciocínio estruturado e geração de código. Ao mesmo tempo, os limites impostos pelo Departamento de Comércio dos EUA à exportação de processadores gráficos de última geração deixaram centros de pesquisa chineses sem capacidade de hardware suficiente para treinar sistemas de fronteira do zero.

A destilação sintética surge como solução prática. Em vez de consumir milhões de horas de processamento computacional em pré-treinamento maciço, desenvolvedores utilizam as saídas geradas pelo Claude para treinar modelos locais menores. O procedimento transfere capacidades lógicas do modelo de ponta com uma fração da infraestrutura física necessária.

Acusações da Anthropic e reação regulatória em Pequim

A dimensão do tráfego já havia sido documentada pela própria fornecedora. Em relatório de inteligência de 154 páginas divulgado em 10 de setembro de 2026, a Anthropic acusou sete companhias chinesas, entre elas Alibaba, DeepSeek e Moonshot AI, de operar mais de 24 mil contas falsas para alimentar a destilação de seus produtos. A Alibaba teria acumulado mais de 151 milhões de requisições entre maio e julho, enquanto a DeepSeek gerou 12,1 milhões de consultas em duas semanas.

O fluxo clandestino também provocou atritos dentro da China. Conforme reportado pelo Yahoo News, a Administração do Ciberespaço da China (CAC) convocou as companhias mencionadas e abriu apurações sobre a DeepSeek e a Moonshot AI. A preocupação das autoridades de Pequim é que os envios contínuos de requisições a servidores norte-americanos possam ter transferido dados sensíveis de órgãos governamentais e de segurança pública sem autorização legal.

Fontes

Fontes

  1. theinformation.com
  2. anthropic.com
  3. tomshardware.com
  4. chosun.com
  5. yahoo.com

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