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Modelos

Gigantes chinesas criam modelos próprios de IA

Empresas como miHoYo, Xiaomi e Meituan investem bilhões em modelos próprios de IA em vez de comprar concorrentes no mercado chinês.

Em vez de comprar startups ou fechar acordos de exclusividade, grupos de tecnologia da China gastam bilhões para treinar modelos em casa.

No ecossistema de inteligência artificial da China, empresas consolidadas de setores distantes da nuvem tradicional decidiram que não vão comprar rivais nem depender de sistemas de terceiros. Em vez de fechar rodadas de aquisição, grupos que vão dos games ao comércio eletrônico bancam o desenvolvimento de modelos próprios de IA construídos do zero. A estratégia marca uma ruptura nítida com o modelo ocidental, no qual gigantes de tecnologia concentram capital em poucos laboratórios de ponta.

Bilhões fora da nuvem tradicional

Enquanto corporações americanas injetam dezenas de bilhões de dólares em parcerias fechadas com OpenAI ou Anthropic, as marcas chinesas de consumo assumem os custos de infraestrutura por conta própria. A miHoYo, estúdio responsável pelo jogo Genshin Impact, estruturou um plano plurianual para alocar até 100 bilhões de yuans — cerca de 15 bilhões de dólares — em computação e pesquisa de inteligência artificial ao longo de três anos, segundo informes internos atribuídos ao cofundador Liu Wei.

Outras gigantes de consumo seguiram o mesmo caminho. A fabricante de smartphones Xiaomi colocou seu modelo MiMo-V2.5-Pro na nona posição global do ranking de modelos abertos da consultoria Artificial Analysis, enquanto a Meituan, dona da maior rede de entregas do país, desenvolveu internamente a família de modelos LongCat. Nenhuma delas procurou absorver equipes externas: a ordem foi montar clusters e treinar arquiteturas proprietárias.

Startups sem compradores recorrem à bolsa

Essa resistência a fusões e aquisições transformou o horizonte das startups chinesas de IA. Sem propostas de compra de grupos como Alibaba, Tencent ou ByteDance para absorver suas operações, os laboratórios independentes precisaram buscar dinheiro no mercado financeiro aberto.

A saída foi a bolsa de Hong Kong. Em 8 de janeiro de 2026, a Zhipu AI levantou 4,35 bilhões de dólares de Hong Kong em sua oferta pública inicial de ações. No dia seguinte, a MiniMax captou 4,8 bilhões de dólares de Hong Kong na mesma praça. Outros laboratórios de destaque, como DeepSeek, Moonshot e StepFun, preparam listagens semelhantes para garantir caixa sem depender de resgates corporativos.

Por que bancar modelos próprios de IA e o peso da destilação

A proliferação de sistemas paralelos se apoia em uma engrenagem técnica comum na China: a destilação de modelos. Nesse método, uma rede neural menor treina copiando os padrões e respostas gerados por sistemas mais densos e capazes. A prática corta meses de pesquisa básica e reduz drasticamente o consumo de poder computacional.

Essa facilidade cria uma faca de dois gumes. Se qualquer competidor atinge um avanço relevante em benchmarks, rivais conseguem reproduzir capacidades parecidas em questão de semanas. Para contornar os embargos comerciais americanos de chips e acessar saídas de modelos ocidentais de ponta, engenheiros recorrem até a um mercado paralelo de revenda de tokens em distritos tecnológicos de Pequim, como Haidian — movimentação monitorada pela agência governamental americana CISA.

O veto singular na ByteDance

A grande exceção à rotina de destilação generalizada ocorre na ByteDance. O fundador da proprietária do TikTok, Zhang Yiming, proibiu internamente que as equipes de pesquisa usem destilação sobre modelos concorrentes dos Estados Unidos.

A diretriz tem duplo objetivo. Por um lado, protege o grupo contra questionamentos regulatórios no exterior, em um momento de escrutínio rigoroso sobre suas operações ocidentais. Por outro, força a divisão de pesquisa a construir soluções fundamentais a partir de primeiros princípios, evitando vícios de arquitetura herdados de rivais.

Sem monopólios fáceis à vista

A combinação entre capital abundante de marcas de consumo e a velocidade da destilação gera um ecossistema com baixa barreira técnica de replicação. Ao contrário do Vale do Silício, onde poucos grupos sustentam fossos tecnológicos amplos, o mercado chinês opera em paridade contínua: alcançar o estado da arte custa menos tempo, mas manter uma vantagem exclusiva é quase impossível.

Fontes

Fontes

  1. theinformation.com
  2. chosun.com
  3. reuters.com
  4. reuters.com
  5. cisa.gov

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